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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Alguns acidentes ambientais no Brasil...
01-RIO PARAÍBA DO SUL-RJ
Outros acidentes recentes que
causaram estragos no rio Paraíba do Sul
1982 – Vazamento da Cia.
Paraibuna de Metais, com o rompimento de um dique de contenção de rejeitos no
rio Paraibuna, que carreou resíduos de metais pesados (cromo e cádmio) e outras
substâncias tóxicas, contaminando o rio Paraíba do Sul desde a confluência com
o Paraibuna até a foz.
1984 – Acidente rodoviário em que
um caminhão despejou 30 mil litros de ácido sulfúrico no rio Piabanha.
1988 – Vazamento de óleo ascarel
contido em 3 mil litros de água utilizada para apagar o incêndio em transformadores
na Thyssen Fundições.
1989 – Acidente com um caminhão
tanque de metanol que despejou o produto no rio, na altura de Barra do Piraí.
2003 – Vazamento de mais de 20
milhões de litros de soda cáustica no rio Pomba, provenientes da indústria
Cataguazes de Papel. Acidentes de menores proporções ocorreram em 2006 e 2007,
sob responsabilidade da mesma indústria.
2008 – Vazamento de pelo menos 8
mil litros do agrotóxico endosulfan no rio Pirapetinga, afluente do Paraíba do
Sul. Aproximadamente 100 toneladas de peixes foram mortos, em período de
desova. Não há medições sobre danos à saúde das populações atingidas, mas o
produto é altamente tóxico, banido em diversos países.
02- RECIFE -1983
Pescadores protestaram contra o
lançamento do vinhoto das usinas de destilarias nas praias, que resultou em uma
mancha negra do produto com 18 quilômetros de extensão no litoral ocasionando a
morte de mais de cem toneladas de peixe. No ano seguinte, foram acusados três
usinas pelo acidente ambiental: Companhia Usina Tíuma, Alvorada Agropecuária
Ltda. E Liberdade Agroindustrial. Em 13 de novembro de 1984 os ex-presidentes e
ex-vice presidente da Companhia de Controle da Poluição foram condenados por
terem autorizado o despejo do vinhoto.
03- CANAL DE BERTIOGA E RIO
IRERÊ
A Firpavi, empreiteira
responsável pelas obras da rodovia Rio-Santos no trecho entre Bertioga e
Cubatão, removia pedras da estrada quando uma rocha de duas toneladas rolou e
esmagou as tubulações do eleoduto que liga o Terminal Marítimo Almirante
Barroso à Refinaria Presidente Bernardes. A Petrobrás estimou 1.500 toneladas a
quantidade de óleo que espalhou-se em dez quilômetros quadrados do mangue,
invadiu o Rio Irerê os vinte quilômetros do Canal de Bertioga. Pouco tempo
depois, dois acidentes similares agravaram a situação. Os prejuízos ecológicos
foram considerados catastróficos.
Fonte: Revista Exame, Ecodebate,
Gestorwilliam.blog., Rádio Globo.
04- LAGO DO BATATA-PARÁ
A
Mineração Rio do Norte destruiu completamente o lago do Batata, área de 2.100
hectares em que despejava, sem dó nem piedade, durante 10 anos (1979-1989), 2,4
mil metros cúbicos por hora de resíduos da lavagem da bauxita. Os restos do
minério envenenaram as águas, que se tornaram vermelhas, mataram os peixes e
deixaram sem comida cerca de 100 famílias, que moravam na região e tiveram que
procurar outra fonte de sobrevivência. A lavagem da bauxita era feita
diretamente no lago, que funcionava como depósito. Estima-se que tenham sido
lançadas 1,5 milhão de toneladas de rejeitos por ano no lago. Até meados de
1984, os rejeitos eram lançados no igarapé Caranam, que drena para o Batata.
Com o esgotamento do curso d’água, passaram a ser lançados em outros pontos e
no igarapé Água Fria. O alto nível de assoreamento do lago colocou em perigo de
contaminação até o rio Trombetas, o que motivou a construção de uma barragem
com 10m de altura para impedir o transbordamento. Um escândalo, mesmo naqueles
tempos em que não havia lei ambiental no Brasil.
Outros
desastres ambientais vêm acontecendo no Pará, e todos têm sido tratados
isoladamente. Em 2004 e 2009, em Barcarena, as bacias de contenção de efluentes
das fábricas Albrás e Alunorte transbordaram, ferindo de morte o rio Murucupi.
Já na Ymeris Rio Capim, que opera com Caulim desde 1996 e em 2010 adquiriu a
Pará Pigmentos S.A. e tem a maior planta de beneficiamento de caulim do mundo e
71% de participação na produção de caulim no Brasil, em junho de 2007 os
tanques de contenção de rejeitos da empresa transbordaram e 200 mil m³ de
efluentes tomaram as águas do rio das Cobras e os igarapés Curuperé e Dendê,
entre outros. Por conta do acidente, a Semas multou a empresa em R$ 5 milhões.
Em março de 2008, novo vazamento da bacia de rejeitos agravou ainda mais a
situação dos moradores da Vila do Conde que de novo se viram impedidos de usar
os recursos hídricos da região. Foram atingidos os igarapés Curuperé, Dendê e
São João, além da praia de Vila do Conde e o rio das Cobras. No ano passado os
moradores denunciaram outro vazamento. Os acidentes integram o Mapa da
Injustiça Ambiental da Fiocruz.
Fonte: Geocidades e
Blogs
Acidentes ambientais no mundo...
ALGUNS ACIDENTES AMBIENTAIS QUE ATINGIRAM OCEANOS, MARES,
GOLFOS, RIOS, ILHAS, CANAIS, BAIAS, PRAIAS.
1- Guerra do Golfo, Kuwait,
Golfo Pérsico (janeiro/1991)
Volume: 1 milhão e 360 mil
toneladas
O pior vazamento de petróleo da
história não foi propriamente acidental, mas deliberado. Causou enormes danos à
vida selvagem no Golfo Pérsico, depois
que forças iraquianas abriram as válvulas de poços de petróleo e oleodutos ao
se retirarem do Kuwait.
2- Ixtoc I, Campeche, Golfo do
México (junho/1979)
Volume: 454 mil toneladas
A plataforma mexicana Ixtoc 1 se
rompeu na Baía de Campeche,
derramando cerca de 454 mil toneladas de petróleo no mar. A enorme
maré negra afetou, por mais de um ano, as costas de uma área de mais de
1.600km2.
3- Atlantic Empress, Tobago,
Caribe (julho/1979)
Volume: 287 mil toneladas Durante
uma tempestade tropical, dois superpetroleiros gigantescos colidiram próximos à
ilha caribenha de
Tobago. O acidente matou 26 membros da tripulação e despejou milhões
de litros de petróleo bruto no mar.
4- Nowruz, Irã, Golfo Pérsico
(fevereiro/1983)
Volume: 260 mil toneladas
Durante a Primeira Guerra do
Golfo, um tanque colidiu com a plataforma de Nowruz causando o vazamento diário
de 1500 barris de petróleo.
5-ABT Summer Angola
(maio/1991)
Volume: 260 mil toneladas
O superpetroleiro Libéria ABT
Summer explodiu na costa angolana em 28 de maio de 1991 e matou cinco membros
da tripulação. Milhões de litros de petróleo vazaram para o Oceano Atlântico,
afetando a vida marinha.
6-Amoco Cadiz, França
(março/1978)
Volume: 223 mil toneladas
Um dos piores acidentes
petrolíferos do mundo aconteceu em 1978, quando o supertanque Amoco Cadiz
rompeu-se ao meio perto da costa noroeste da
França. O vazamento matou milhares de moluscos e ouriços do mar.
Esta foi a primeira vez que imagens de aves marinhas cobertas de petróleo foram
vistas pelo mundo.
7-M T Haven, Itália
(abril/1991)
Volume: 144 mil toneladas
Outro superpetroleiro, o navio
gêmeo do Amoco Cadiz explodiu e naufragou próximo da costa de Gênova,
matando seis tripulantes.
A poluição na costa mediterrânea
da Itália e da França se estendeu pelos 12 anos seguintes.
8- Castillo de Bellver, Africa
do Sul (agosto/1983)
Volume: 252 mil toneladas Depois
de um incêndio a bordo, seguido de explosão, o navio espanhol rachou-se ao
meio, liberando cerca de 200 milhões de litros do óleo na costa de Cape
Town, na África do Sul. Por sorte, o vento forte evitou que a mancha
alcançasse o litoral, minimizando os efeitos ambientais do desastre.
9-RIO RENO
Um incêndio nos depósitos da
fábrica química Sandoz, na
Basiléia, noroeste da Suiça causou graves danos ecológicos e o
incidente ficou conhecido como ‘Chernobyl’ do rio Reno, que ficou envenenado
por 30 toneladas de herbicidas. Vários produtos químicos, principalmente, o
mércurio . Toda vida vegetal em seu leito morreu, a água foi racionada em
diversas cidades europeias.
10- acidente na Baía de
Minamata – Japão 28.3.79
O acidente foi provocado pelo
despejo de efluentes industriais, sobretudo mercúrio, na Baía de Minamata.
Um dos piores casos de
intoxicação relatados saiu sucintamente relatado numa coluna intitulada
"Morte pela Boca". Conta o artigo que o mercúrio presente em resíduos
industriais despejados durante anos na baía de Minamata,
no sul do Japão, contaminou o pescado da região. De. 1953-1997,
12.500 pessoas haviam sido diagnosticadas com o "Mal de Minamata".
É uma contaminação que degenera o
sistema nervoso e é transmitida geneticamente, acarretando deformação nos
fetos." As conseqüências: surdez, cegueira e falta de coordenação motora.
A repercussão só se deu em 1972,
quando por força de decisão judicial inédita no mundo, as vítimas passaram a
receber indenizações pelos males sofridos.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Um verdadeiro espetáculo em Brasília!
| Fotos Fernanda Figueiredo -Brasília |
Canafístula, farinha –seca, faveira, sobrasil, tamboril – bravo, guarucaia, ibirá-puitá.
Ocorre no Brasil da Paraíba até o Rio Grande do Sul, nas formações florestais do complexo atlântico, e em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul até o Paraná passando por São Paulo.
A Canafístula - Peltophorum dubium, é uma árvore decídua a semidecídua, com florescimento decorativo e muito utilizada na arborização urbana na América do Sul, porém, também é amplamente utilizada no paisagismo rural. Seu porte é grande, alcançando de 15 a 40 metros de altura, com copa ampla e globosa. O tronco atinge 50 a 120 centímetros de diâmetro e possui casca fina quando jovem, que engrossa e se torna escamosa com o passar do tempo. Ela produz sombra fresca no verão e perde parte ou todas as folhas no inverno. Sua floração é um verdadeiro espetáculo de flores amarelas e forma um tapete de pétalas no chão. Ecologicamente é considerada uma importante árvore oportunista, que se beneficia de clareiras, sendo por este motivo utilizada em recuperação de áreas degradadas. Sua madeira é utilizada em trabalhos de marcenaria, construção civil e no fabrico de dormentes, entre outros.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Como era doce o meu rio...
DOCE, UM RIO QUE PEDE PELA VIDA.
Em dezembro de 1815, há 200 anos, o naturalista alemão Maximiliano de Wied, em sua viagem do Rio de Janeiro à Bahia, navegou pelo rio Doce, de sua foz, até a cidade de Linhares. Ficou maravilhado com a exuberância da floresta e a riqueza de sua flora e fauna. A pintura do naturalista representando sua canoa navegando no rio é uma das mais belas de toda a viagem.
A colonização europeia no Brasil se iniciou há mais de 500 anos, mas as matas da bacia do rio Doce permaneceram razoavelmente bem preservadas até o final do Século XIX. Em seu livro intitulado “O Desbravamento das Selvas do Rio Doce”, o engenheiro Ceciliano Abel de Almeida, primeiro reitor da Universidade do Espírito Santo, dá uma bela descrição da paisagem que avistou a bordo do barco a vapor, ao viajar da foz do rio, até Baixo Guandu, por volta de 1905. Dentre outras preciosidades, teve o prazer de apreciar um bando de ariranhas brincando na margem do rio. Tempos depois, ele relata um encontro de sua equipe com um grupo de índios botocudos, que os receberam a flechadas. Esse cenário, entretanto, não duraria muito.
Durante os primeiros dois terços do século XX o desmatamento da bacia do rio Doce foi brutal. Três dos principais fatores foram a cafeicultura, a pecuária bovina e a siderurgia. Esta última, pela demanda de carvão vegetal que devorou grande parte da zona da mata mineira. Hoje extensas áreas de pastagens estão erodidas e abandonadas e muitos cafezais estão decadentes. Os solos expostos pelo desmatamento são carreados em enxurrada para o leito do rio, onde parte dos sedimentos acarreta o assoreamento e parte é lançada no mar, poluindo o ambiente marinho. Soma-se a isso o esgoto doméstico e industrial não tratado, lixo e contaminação por agrotóxicos, que degradam dramaticamente a água do rio.
Em meados do Século XX o naturalista capixaba Augusto Ruschi alertava para o risco de grandes desastres no rio Doce. Com o desmatamento e assoreamento o rio estaria vulnerável a grandes cheias na estação das águas e severas secas na estação de estiagem. Em janeiro e fevereiro de 1979 o céu desabou sobre bacia do rio Doce. Sem florestas para atenuar o impacto, as águas barrentas desceram em enxurrada provocando a maior cheia que se tem notícia. Outras cheias catastróficas voltaram a acontecer, a exemplo de janeiro de 1997 e janeiro de 2013. Este ano estamos testemunhando uma das maiores secas da história do rio, agravada por uma rigorosa estiagem.
Como se já não bastasse, fomos surpreendidos com o rompimento da lagoa de decantação de minério da SAMARCO, lançando, subitamente, num afluente do Doce, nada menos que 62 milhões de metros cúbicos de lama. A enxurrada ceifou vidas humanas, destruiu povoados, inutilizou áreas agrícolas e seguiu seu curso pelo rio Doce, já castigado pela seca prolongada. A ausência de um plano de comunicação pública confiável, a desinformação e a incapacidade da imprensa de cobrir a tragédia adequadamente, estimularam a onda de boatos sem embasamento técnico/científico, muitas vezes disseminando o pânico. Dentre estes ainda circulam boatos de que o rio será esterilizado, aniquilando-se todo o ser vivo que nele habita.
Não resta dúvida de que a vida ribeirinha está sendo duramente castigada com o desastre. Um incontável número de peixes, outros vertebrados e invertebrados estão perecendo, principalmente, por asfixia. Além de dispor de pouco oxigênio dissolvido, a água lamacenta obstrui as brânquias dos animais aquáticos, impedindo sua respiração. Não menos importante é o impacto sobre os vegetais e microrganismos, muitos deles essenciais para o sistema ecológico do rio, mas que não chamam tanto a atenção como os peixes mortos na superfície. Alguns impactos certamente durarão anos e outros serão irreversíveis.
Diante da urgência e desespero surgiram dezenas de inciativas visando atenuar os impactos sobre a vida humana e a biodiversidade, algumas de eficácia questionável. Por exemplo, a iniciativa de capturar peixes, para reintroduzi-los após o desastre, sensibiliza a opinião pública, mas não produz os resultados esperados. O manejo conservacionista de fauna é algo complexo e, salvo situações muito específicas, não se pode fazer da noite para o dia. Na pressa são “resgatados”, principalmente, exemplares das espécies mais comuns, incluindo espécies exóticas e invasoras, como o bagre africano, que não necessitam de ajuda. Além disso, o número total de exemplares capturados certamente é insignificante em relação às populações de peixes que habitam o rio. Se o desastre exterminasse as populações naturais, esses peixes “resgatados” dificilmente repovoariam o rio.
É possível que algumas espécies da flora, fauna ou microrganismos sejam extintas com a tragédia, mas isto será difícil de comprovar, dado o nosso conhecimento fragmentado da biota do rio. Entretanto, dizer que o rio Doce, como um todo, está morto não tem sustentação científica, nem serve ao objetivo maior, que é buscar a sua recuperação ecológica. Obviamente o nível de impacto foi mudando com o distanciamento da fonte do desastre. No primeiro terço do percurso, a lama realmente foi devastadora. É desse trecho que provem, por exemplo, a maioria das imagens de peixes mortos. No terço médio o impacto também foi brutal, mas a lama já foi sedimentando e se diluindo com a água do rio, reduzindo sua letalidade. No baixo rio Doce, no Espírito Santo, a água ficou extremamente barrenta, porém não é mais um rio de lama como no início.
Convém lembrar que a biodiversidade do rio Doce já apresenta uma grande resiliência, ou seja, tolerância a alterações ambientais. Certamente as espécies ecologicamente mais exigentes e sensíveis à perturbação ambiental já desapareceram do rio. Por exemplo, as emblemáticas ariranhas apreciadas por Ceciliano Abel de Almeida, já se extinguiram há décadas, bem como um grande número de outras espécies de vertebrados e invertebrados menos conspícuas. Quem conhece o rio Doce sabe que, todos anos, logo após as primeiras grandes chuvas, o rio adquire a típica coloração barrenta. A biota que lá permanece já é parcialmente adaptada a essa condição ecológica.
Podemos dizer que o Doce é um paciente crônico, que foi acometido por uma infecção aguda, que o colocou na UTI, mas não o matou. Considerando que é na crise que surgem as oportunidades, temos que aproveitar este momento de comoção para nos mobilizarmos em torno de um grande projeto de recuperação da bacia do rio Doce. Não se trata, apenas, de recuperar o rio do desastre provocado pela SAMARCO.
Obviamente não podemos abrir mão da responsabilização criminal das empresas envolvidas, mas para recuperar o rio temos que assumir que a responsabilidade ambiental é de toda sociedade. O “paciente” está morrendo por causa do modelo de crescimento econômico imediatista e inconsequente que caracteriza a nossa sociedade e tem sido estimulado por nossos governantes. Por exemplo, o que faziam os prefeitos, que agora esperneiam contra a SAMARCO, para melhorar o rio Doce? E os planos para recuperação da bacia, quem estava levando a sério? E o viciado sistema de licenciamento ambiental, com relatórios de impacto redigidos conforme interesse das empresas impactantes? Quem está se empenhando em mudar esse sistema?
Temos que recuperar mais de 100 anos de destruição e descaso. Não é tarefa fácil, de curto prazo nem barata. Mas é uma grande oportunidade de investimento, tanto sob o ponto de vista ecológico, quanto social e econômico. Grande parte da bacia do rio Doce é hoje constituída por terras degradadas e improdutivas, com fazendas decadentes, vilarejos empobrecidos e biodiversidade erodida. O modelo econômico do Século XX, imediatista e predatório, fracassou.
Evidentemente precisaremos recuperar grandes extensões de Mata Atlântica, começando pela restauração das áreas de preservação permanentes e efetivação das reservas legais. A retirada de efluentes tóxicos e esgotos in natura do Doce e seus tributários é uma meta ambiciosa, mas essencial para a saúde do rio. Entretanto, essas intervenções devem ser acompanhadas de um plano de desenvolvimento socioeconômico, ecologicamente orientado.
Há cerca de 50 anos os ingleses começaram a recuperação do rio Tâmisa, que se encontrava quase morto, em situação pior que o Doce. Hoje o rio está povoado de peixes e nele podem ser avistadas focas, golfinhos e até pequenas baleias. Certamente o rio Doce jamais voltará a ser como aquele que impressionou o naturalista Maximiliano de Wied. Mas se começarmos a trabalhar de forma séria, colaborativa e coordenada, em algumas décadas poderemos ter um rio melhor do que é hoje e, até o final deste século, um rio que possa orgulhar as gerações futuras.
*Sérgio Lucena Mendes é ecólogo, professor de zoologia da UFES e especializado em conservação e manejo de fauna.
terça-feira, 10 de novembro de 2015
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